pois...
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Abr 08
publicado por Sebastião Marques Lopes, às 21:29link do post | comentar

Quando tinha 6 anos, todas as noites, a minha mãe ia à minha cama e dava-me um beijo na cara. Para a minha mãe o beijo era normal, mas para mim era o acontecimento mais esperado do dia. Antes de ir para a cama, dizia sempre à minha mãe para não se esquecer do beijinho de boa noite, e ela, dizia sempre que não se ia esquecer. Aquele beijo frio na bochecha esquerda fazia-me sentir confortável e seguro do bicho papão que comia as almas das crianças. Para além de dizer “boa noite” também acrescentava coisas bonitas como: “és muito linda”, ou, “és a melhor mãe do mundo”. Com inveja, às vezes o meu pai (durante o beijo de boa noite) ia à minha cama e dizia que era o detector de dizercoisasdemasiadobonitas à mãe. E, sempre que eu dizia uma coisa muito bonita como “adoro-te”, o meu pai dizia que eu estava preso em nome da organização de dizercoisasdemasiadobonitas à mãe. Ainda hoje, peço de vez em quando à minha mãe para me dar um beijinho de boa noite só para me relembrar como era bom ser pequenino.


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