pois...
17
Set 08
publicado por Sebastião Marques Lopes, às 18:56link do post | comentar

 

O João era um homem que vivia em Lisboa. Casa não muito grande, emprego não muito mau, em geral, ele era um homem de classe média. Ele gostava muito de fazer duas coisas: tirar fotografias e jogar às cartas. Ele tinha uma pequena empresa de computadores mas ele, quando podia, gostava de tirar fotografias para jornais.

 Um dia, quando estava a ler o jornal, viu um anúncio a dizer: Oferecemos 20.000 euros por boa fotografia de uma paisagem natural. O João ficou muito contente e foi logo à procura de uma paisagem. Quando a encontrou tirou uma fotografia e foi logo para o local de entrega que era uma grande empresa. Entrou num gabinete, e viu um homem que quando olhou para a fotografia exclamou:

-Esta fotografia está bastante boa. Quer almoçar comigo para conversarmos melhor?

-Claro. - Respondeu o João.

Quando chegaram ao restaurante o homem disse:

      -Desculpe ainda não me ter apresentado. Chamo-me Pedro. Pedro Antunes. Sou dono da maior empresa de mobília de Portugal. Diga-me por favor como se chama e o que faz para além de fotografia.

      -Chamo-me João Santos e tenho uma pequena empresa de computadores. Estou a tentar expandir, mas o banco já não me empresta mais dinheiro. - Disse o João.

-Não faz mal. Eu empresto-lhe dinheiro. Aqui tem o cheque. – Disse o homem tirando um cheque do seu bolso esquerdo. Quando o João viu a quantia que estava no cheque ficou de boca aberta e disse-lhe logo:

-Muito obrigado. Mal eu tiver o dinheiro dou-lho logo.

Assim, o João saiu a correr do restaurante e foi para o jardim onde estava o seu amigo António à sua espera. O António era um homem que vivia na rua. Era tão pobre que às vezes passava dias sem comer.

-Então, estás pronto para ser derrotado nas cartas? -Perguntou o António.

-Antes disso tenho uma grande notícia para ti. Conheci hoje um homem que me emprestou dinheiro e vou investi-lo na minha empresa, e vou ficar tão rico que te vou dar uma vida muito melhor que esta.

O António ficou calado. Ele levantou-se e deu um grande abraço ao João enquanto estava a chorar.

 Todos os dias, durante duas semanas, o João almoçava com o António e dizia-lhe como ia ser bom ter uma casa e poder comer todos os dias. Ao jantar, o João comia com o Pedro e agradecia-lhe o dinheiro. Um dia, quando estava a jantar com o Pedro, o Pedro disse-lhe:

      - Não sei se o negócio está a correr bem. Só sei que preciso do dinheiro que lhe emprestei. Tem uma semana para pagar.

Dito isto, o Pedro levantou-se e saiu. Todos os dias o Pedro telefonava a perguntar se já tinha o dinheiro. Às vezes, até telefonava três vezes por dia! O João, ficou tão irritado, que vendeu toda a sua mobília e deu o dinheiro ao Pedro.

 O João começou a dormir no chão e comer apenas em restaurantes, até que um dia, alguém bateu à porta.

-Tu prometeste-me uma casa. Não dormi durante dias a pensar como ia ser bom. Uma promessa é um compromisso muito sério e está na altura de o cumprires. O João tirou as chaves do seu bolso direito, deu-as ao António, e saiu. Ele tinha dado as chaves da sua própria casa.

 O João passou um mês a viver no jardim até que se apercebeu que a sua vida não tinha sentido.

A rico não devas e a pobre não prometas.

 

 

 

 

 Sebastião Lopes 

 


NEVER MAKE PROMISES YOU CAN'T KEEP

isso é coisa de pacotes de açucar
ainextinguivel a 19 de Outubro de 2008 às 22:29

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