pois...
18
Nov 08
publicado por Sebastião Marques Lopes, às 17:22link do post | comentar

 As novas tecnologias de hoje em dia são fantásticas. Lava-loiças, fogões etc... Só há uma coisa que eu odeio das novas tecnologias. Ipod. Eu sei, que é moderno e que facilita as coisas, mas no meio de isto tudo ficam para trás os cd´s. Estamos a esquecer dos discos que venderam milhões. Discos que representam a vida de um artista. Discos que mudam uma pessoa. Admitam. As pessoas vão sempre pelo o caminho mais rápido. Num carregar de tecla está a nossa música preferida. Sabem do que estou a falar?


A experiência de ouvir música inclui a forma como se coloca a tocar essa música ... mas essa experiência é menorizada por ter menos coisas fisicas?

A alma dos artistas (músicos) está na música e não nos seus suportes fisicos.


Caso tenhas o interesse em ler mais do que o "sound bite", continua. Não sejas nostálgico de uma coisa que é recente ... a história repete-se!

Os CDs, LPs, K7s, o que quiseres, tiveram o seu tempo e adicionaram alguns elementos da arte dos músicos - por exemplo algumas capas são tão famosas como os discos.
Mas mesmo na internet essa componente de artwork pode ser suportada - não está é tão divulgada.

Tinham também um aspecto social - emprestar e pedir emprestado discos tinha/tem implicitos a amizade e confiança de quem partilha algo que lhe é querido.
Aqui reconheço que o digital nos faz perder algo dessa experiência, mas a amizade não vive de empréstimos.

Quanto às vendas ... Ah! uma longa história por si mesma!

Talvez não saibas, mas os artistas recebem muito pouco pelos discos.
Verdade, a maior parte vai para as editoras, os produtores e todos os que têm que assegurar que os discos cheguem à loja mais próxima de ti.
Onde os artistas ganham mais é com os concertos, que é também onde a experiência da música nos aproxima mais dos artistas.

Pois, os artistas passam a vender mais músicas individuais e menos albums. Nada de novo no mundo!
Antigamente os artistas tinham que criar a sua reputação no circuito de música ao vivo.
Se tivessem sorte e algo de bom, conseguiam editar uma ou duas músicas - os Singles eram o mercado da música antes dos LPs e CDs!

Com o digital, quem quer ser artista tem maior facilidade em divulgar os seus discos - o MySpace já ajudou muitos.
A capacidade de chegar aos ouvintes é mais fácil, barata e democrática. Já não precisam de adular produtores, responsáveis de editoras, DJs da rádio.

Voltam a ter que trabalhar em criar interesse na sua música em um maior número de pessoas, para que estes os venham ouvir nos eventos. E aqui os espectadores pagam bilhete!
(sim ainda têm que dar graxa aos responsáveis dos bares e locais de concertos - não se pode ter tudo!)

Música digital paga? Vai passar a ser apenas quando um artista já está estabelecido, e mesmo assim ...
No principio o que o artista quer é ser ouvido e vai oferecer a música a quem o quiser ouvir.

Ou seja, voltamos a ter um mercado pré-LPs, onde os concertos tinham mais importância para estabelecer o artista.
Com contornos diferentes, a história repete-se.


Continua a escrever, estou a gostar de ler!
Anónimo a 18 de Novembro de 2008 às 20:54

Onde está "Se tivessem sorte e algo de bom, conseguiam editar uma ou duas músicas - os Singles eram o mercado da música antes dos LPs e CDs"

refere-se a editarem apenas 2 músicas de cada vez, porque cada single tinha apenas espaço para 2 músicas, lado A e lado B.
Anónimo a 18 de Novembro de 2008 às 20:59

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